Terapia para que? Para quem?
- Pablo Telles
- 20 de set. de 2017
- 2 min de leitura

Dúvidas e equívocos são comuns quando falamos em terapia, análise ou psicoterapia. Muitos amigos, familiares e pessoas do dia a dia me perguntam: - O que você faz ? Para que e a quem serve a análise? É coisa de doido (louco), não é?
Através deste texto, tenho a pretensão de fazer uma breve introdução sobre o trabalho na clínica e a quem ele se destina.
Em linhas gerais, eu diria: para toda e qualquer pessoa que busca qualidade de vida, busca melhorar, evoluir, conquistar novos objetivos, superar-se ou - em outras palavras - simplesmente sentir-se “auto realizado". Independente do que essa “autorrealização" venha a significar para cada pessoa.
Pois bem, vamos lá!
- Para que e a quem serve?
Para alguns, pode ser: ter um corpo saudável, uma boa saúde; para outros, a ascensão econômica, conseguir um bom emprego, ingressar numa boa universidade, ainda, quem sabe, melhorar ou mesmo criar novas relações afetivas. Há os que querem mudar um ou alguns comportamentos, como: o abuso de drogas (licitas ou ilícitas), uma compulsão alimentar, superar um quadro de depressão, ansiedade...
Na verdade, há tantas possibilidades quanto há indivíduos.
“Não existe uma regra de ouro que se aplique a todos: todo homem tem de descobrir, por si mesmo, de que modo específico pode ser 'feliz'.” (Freud, 1930)
- O que faz um psicólogo clínico?
O trabalho na clínica, expondo de forma simples - mas fiel - busca levar o indivíduo a questionar sobre si mesmo, a identificar seus desejos e, em contrapartida, seus medos e resistências. Estes últimos, paralisam-no frente a oportunidades, "o deixam parado no tempo e no espaço", repetindo constantemente os mesmos comportamentos e situações sem que ele se dê conta de que o faz.
Por um desconhecimento de si, muitas pessoas nomeiam esse fenômeno de "destino", algo que está além de seu controle e que nada podem fazer para mudar - nada têm a ver com isso.
A partir do mergulho interno em questão, surge espaço para o desconhecido, para o doloroso, para a angustia; mas também para a transformação, para o novo, para o que não foi visto e/ou nomeado, para que cada indivíduo trace seu próprio e único caminho rumo a "felicidade" e possa, então, viver com certa leveza, fluidez e responsabilidade sobre seus desejos.
"Conhece-te a ti mesmo e conhecerá o universo e os deuses."
(Sócrates)
- É coisa de gente louca?
Acho que já respondi indiretamente essa questão ao decorrer do texto (destina-se a toda e qualquer pessoa que está disposta a comprometer-se consigo mesma e buscar novas e melhores formas de estar no mundo, o que inclui também, evidentemente, os chamados "loucos").
Mas, de qualquer forma, gostaria e propor um exercício e deixar aqui uma provocação saudável. Primeiro eu gostaria que você se perguntasse: o que caracteriza uma pessoa “louca"? Feito isso, te proponho uma segunda questão (ela exige uma dose de honestidade com você mesmos): até que ponto você - sim, você mesmo, o leitor que me acompanhou nesse texto - se considera "louco" ou "normal"?
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